Torberg, Friedrich

Data de nascimento: 16 de setembro 1908
Local de nascimento: Império Austro-Húngaro (Viena)
Data de morte: 10 novembro 1979
Local de morte: Áustria (Viena)
Nacionalidade: austríaca; checoslovaca; americana
Confissão:
Profissão:
Artes, Letras e Ciências:
Torberg

 

Exílio

Data de partida: 20 de junho 1938
Local de partida: Checoslováquia (Praga)
Motivo(s):
Passagem por: Suíça (Zurique); França (Paris; Agen; Bordéus; Bayonne; Hendaye); Espanha (Irun)

 

Chegada a Portugal

Data de chegada: junho 1940
Acompanhado por: ---

 

Permanência em Portugal

Tempo de permanência: quatro meses

 

Partida de Portugal

Data de partida: 9 de outubro 1940
Meio de transporte: navio (Exeter)
Destino: EUA (Nova Iorque, Hollywood)

 

Fim do exílio

Data de regresso: 1951
Local de regresso: Áustria (Viena)
Sobre o exílio

Com as suas obras proibidas no III Reich logo em 1933, Friedrich Torberg [Friedrich Ephraim Kantor-Berg] aproveitou uma estadia casual em Praga aquando da anexação da Áustria para se refugiar em Zurique (junho 1938), dando início a uma acidentada fuga aos nacional-socialistas. Descrevê-la-á minuciosamente, por vezes na clave humorística que lhe é tão própria – explorada nos bestsellers Die Tante Jolesch (1977) e Die Erben der Tante Jolesch (1971) –, em cartas dirigidas ao amigo e publicista político Willi Schlamm (Eine tolle, tolle Zeit, 1989). Na bagagem levava os primeiros capítulos de um romance sobre a queda de Viena que será publicado postumamente – Auch das war Wien (1984). Dado possuir passaporte checoslovaco, foi-lhe possível viver durante cerca de um ano entre Zurique e Paris. No entanto, na primavera de 1939, as autoridades suíças ameaçavam extraditá-lo e, antecipando-se, FT rumou a Paris. Quando a guerra começou, alistou-se voluntariamente na França no exército checo no exílio, do qual foi dispensado meses depois devido aos problemas cardíacos que o acompanhavam desde os jogos de polo aquático em que se destacara nos tempos de paz no clube desportivo judaico SC Hagibor Praha. Dois dias antes da tomada de Paris pelo exército alemão (junho 1940), T. consegue fugir da cidade (12 de junho 1940). De carro, com amigos, acompanha a caótica torrente de fugitivos pela última estrada para o sul ainda aberta. «Os carros estavam todos completamente cheios a rebentar, vi pessoas sentadas nos guarda-lamas ou amarradas com cintos aos porta-bagagens», relata T. (TtZ, 98). Passam por Bordéus (onde Aristides de Sousa Mendes lhe assina o visto de entrada em Portugal (idem: 88)), Bayonne, é por pouco que consegue atravessar a pé a fronteira de Hendaye / Irun – no dia seguinte é encerrada pelos militares alemães. A travessia de Espanha é feita num comboio selado e, por meados do mês, chega finalmente ao nosso país. Logo em Vilar Formoso as autoridades portuguesas atribuem-lhe residência fixa nas termas da Curia – local nada propício, uma vez que apenas em Lisboa era possível tratar do visto para além-mar. Mas a capital estava vedada, não só porque «esgotada» devido à afluência dos visitantes à Exposição do Mundo Português e dos milhares de exilados que já aí se encontravam, mas também para que estes não perturbassem as comemorações e a imagem do país. Cerca de duas semanas depois, T. foi transferido para o Porto, mais tarde encontrar-se-á em Lisboa e no Estoril.
As diligências para obter em Portugal os documentos de saída fracassaram. Graças à ajuda de amigos nos EUA, do Emergency Rescue Committee e do PEN-Club americano, que o incluiu na lista dos Ten Outstanding German Anti-Nazi-Writers, foi-lhe atribuído o visto americano de emergência. Todavia, este fez-se esperar, segundo T., «talvez porque os meus documentos de viagem me não legitimassem perante o cônsul como alemão e nem sequer como austríaco; possivelmente ele teve de indagar primeiro em Washington se, com um passaporte checoslovaco, também se podia ser um anti-nazi-writer» (ETJ, 168)

Axmann, David (1989), “Flucht durch den Höllenwirbel”, in F. T., Eine tolle, tolle Zeit. Briefe und Dokumente aus den Jahren 1938 bis 1941, München, Langen Müller: 5-9.
— (2008), Friedrich Torberg. Die Biographie, München, Langen Müller.
Rosmaninho, Nuno [documento inédito].
Torberg, Friedrich (1989), Eine tolle, tolle Zeit. Briefe und Dokumente aus den Jahren 1938 bis 1941, München, Langen Müller [TtZ].
— (1981), Die Erben der Tante Jolesch, München, Wien, dtv [ETJ].
Obras do/a autor/a sobre o exílio
Torberg, Friedrich (1989), Eine tolle, tolle Zeit. Briefe und Dokumente aus den Jahren 1938 bis 1941, München, Langen Müller.
— (1981), Die Erben der Tante Jolesch, München, Wien, dtv.
–(1977), Die Tante Jolesch, oder der Untergang des Abendlandes in Anekdoten, München, dtv.
Obras do/a autor/a com referências a Portugal
Torberg, Friedrich (1989), Eine tolle, tolle Zeit. Briefe und Dokumente aus den Jahren 1938 bis 1941, München, Langen Müller.
— (1981), Die Erben der Tante Jolesch, München, dtv.
— (1977), Die Tante Jolesch, oder der Untergang des Abendlandes in Anekdoten, München, dtv.
Correspondência do/a autor/a com referências a Portugal
Torberg, Friedrich (1989), Eine tolle, tolle Zeit. Briefe und Dokumente aus den Jahren 1938 bis 1941, München, Langen Müller.

 

Do/a autor/a sobre o exílio

Citar este verbete como: Teresa Martins de Oliveira, "Torberg, Friedrich," em Passagen, Julho 21, 2020, https://passagen.ilcml.com/base/torberg-friedrich/.