Teppich, Fritz

Data de nascimento: 26 de novembro 1918
Local de nascimento: Alemanha (Berlim)
Data de morte: 25 de fevereiro 2012
Local de morte: Alemanha (Berlim)
Nacionalidade: alemã
Confissão:
Artes, Letras e Ciências:
Fritz Teppich

 

Exílio

Data de partida: 1933
Passagem por: Bélgica (Bruxelas); França (Gurs, Le Vernet, Agen); Espanha (Barcelona, Badajoz)

 

Chegada a Portugal

Data de chegada: outubro 1942

 

Permanência em Portugal

Tempo de permanência: três anos e meio

 

Partida de Portugal

Data de partida: setembro 1946
Meio de transporte: navio («Marine Marlin»)
Destino: Alemanha (Berlim)

 

Fim do exílio

Data de regresso: setembro 1946
Local de regresso: Alemanha (Bremerhaven, Hohenasperg, Berlim)
Sobre o exílio

Nascido em Berlim, no seio de uma família judaica liberal, logo em 1933 Fritz Teppich foi previdentemente enviado pela mãe para a Bélgica. Com 15 anos, sem saber francês, pretexto foi o de aprender a profissão de cozinheiro num hotel da cadeia Kempinski, cujo herdeiro era seu cunhado.

Em 1936, quando eclodiu a guerra civil espanhola e as Brigadas Internacionais ainda não existiam, o jovem socialista, depois comunista F.T. – que ainda em Berlim aderira ao grupo juvenil de esquerda “Rote Pfadfinder” [Escuteiros Vermelhos] –, dirigiu-se para a República Basca, onde foi recrutado como voluntário por uma unidade anarquista. Em breve trocou essa unidade por um batalhão socialista e, ao lado das forças republicanas, participou na batalha de Bilbao, viu a destruição de Guernica, e combateu, já como tenente, em Teruel. De acordo com o decorrer da guerra, foi repetidamente promovido, mas também preso e ameaçado de execução. Temendo ser entregue à Gestapo se capturado e reconhecido como judeu de esquerda, aprendeu espanhol e assumiu o nome de Alfredo T. Salutregi. Após a derrota das forças republicanas (março 1939), conseguiu fugir e regressar à Bélgica que abandonou novamente aquando da invasão desse país neutro pelas forças nacional-socialistas (maio 1940). Descreverá os anos de fuga aos nazis e de exílio, de maio de 1940 a setembro de 1946, na sua obra de caráter autobiográfico Der rote Pfadfinder (1996) [O escuteiro vermelho], cujos passos referentes a Portugal serão traduzidos em 1999, com o título de Um refugiado na Ericeira [RE].

Deportado para o sul de França juntamente com muitos outros considerados “inimigos estrangeiros”, é internado no campo de Gurs, depois no de Le Vernet. Quanto ao percurso que se seguiu relata Teppich: «No princípio de 1941, fomos transferidos para a 306ª Companhia de Trabalhadores Estrangeiros (CTE), sob comando militar, na cidade de Agen. Em Agosto de 1942, os judeus desta CTE, aproximadamente 120 (no quadro da deportação geral dos judeus, nesse Outono), foram deportados do Sul da França “Livre” para os territórios de leste, sob ocupação alemã. Todos os membros da CTE usavam uniforme militar francês. Fugi e, pelo que sei, devo ser o único sobrevivente dos então deportados [para Auschwitz] da nossa CTE» (RE, 15-16).

Atravessou os Pirenéus sozinho, a pé, passou por Barcelona, entrou em Portugal pela fronteira do Caia (Elvas) e seguiu de camioneta para Lisboa (RE, 16), onde logo recorreu ao apoio da Comunidade Israelita. Durante semanas, vive na ilegalidade «num quarto alugado no Bairro Alto, na rua do Norte» (RE, 20), sendo preso pela PVDE por motivos que não explica e enviado para a prisão do Aljube, onde conheceu o dirigente comunista Joaquim Pires Jorge. Libertado em 1943, F.T. passou a ter residência fixa na Ericeira nos três anos e meio seguintes na companhia da namorada da altura, Selma Oppenheimer (RE, 20, 25-26, e 31). Foi algum tempo professor voluntário numa escola improvisada por um grupo de pais refugiados. Conforme ele refere, convivia com outros exilados, fruía a natureza idílica, apreciava a faina dos pescadores e a azáfama da lota no porto de pesca, a afabilidade e o contacto com «o excelente povo português» (RE, 30) com o qual criou laços estreitos e que não se cansou de elogiar com gratidão – embora condenado a privações bem maiores do que as dos refugiados, o povo da Ericeira nunca manifestou qualquer inveja ou inimizade. Aliás, quando em 1998 se soube que F.T. viera a Lisboa, foi convidado para se deslocar até essa vila, onde lhe foi prestada homenagem (RE, 58).

Terminada a guerra, os aliados ocidentais impedem-no de regressar à Alemanha – objetivo que levantava suspeitas de traição, mas único destino considerado por F.T. de forma a poder colaborar na libertação do país do nacional-socialismo. Apenas no final do verão de 1946 obtém autorização para seguir num navio-transporte americano para Bremerhaven juntamente com outros judeus e também diplomatas nazis e membros das SS deportados, sendo ainda internado alguns dias num campo americano, até que por fim pode regressar como homem livre à sua cidade natal. Dedicando-se agora ao jornalismo, participou ativamente nos movimentos pela paz dos anos 80 na RFA e foi visita frequente de Portugal e das festas do Avante depois do 25 de abril.

 

Behrens, Thomas (2006), «Fritz Teppich – Der rote Pfadfinder», Portugal-Post. Correio luso-hanseático, n.º 35, 21-22

Teppich, Fritz (1996), Der rote Pfadfinder: der abenteuerreiche Weg eines Berliner Juden durch das 20. Jahrhundert. Berlin, Elefanten Press

Teppich, Fritz (1999), Um refugiado na Ericeira, trad. Renate Niehaus-Diniz, Sebastião Diniz, Ericeira, Mar de Letras [RE]

https://thomasvisualcom.weebly.com/fritz-teppich-dossier.html

Obras do/a autor/a sobre o exílio

Teppich, Fritz (1996), Der rote Pfadfinder: der abenteuerreiche Weg eines Berliner Juden durch das 20. Jahrhundert. Berlin, Elefanten Press

Teppich, Fritz (1999), Um refugiado na Ericeira, trad. Renate Niehaus-Diniz, Sebastião Diniz, Ericeira, Mar de Letras

 

Obras do/a autor/a com referências a Portugal

Teppich, Fritz (1996), Der rote Pfadfinder: der abenteuerreiche Weg eines Berliner Juden durch das 20. Jahrhundert. Berlin, Elefanten Press

Teppich, Fritz (1999), Um refugiado na Ericeira, trad. Renate Niehaus-Diniz, Sebastião Diniz, Ericeira, Mar de Letras

Bibliografia crítica sobre o exílio português

https://thomasvisualcom.weebly.com/fritz-teppich-dossier.html

 

Do/a autor/a sobre o exílio

Citar este verbete como: Maria Antónia Teixeira, "Teppich, Fritz," em Passagen, Abril 9, 2021, https://passagen.ilcml.com/base/teppich-fritz/.