Mahler-Werfel, Alma

Data de nascimento: 31 de agosto 1879
Local de nascimento: Império Austro-Húngaro (Viena)
Data de morte: 11 de dezembro 1964
Local de morte: EUA (Nova York)
Nacionalidade: austríaca; americana
Confissão:
Artes, Letras e Ciências:
AlmaMahler

 

Exílio

Data de partida: março 1938
Local de partida: Áustria (Viena)
Motivo(s):
Passagem por: Checoslováquia (Praga); Hungria (Budapeste); Itália (Milão); Suíça; França (Paris, Sanary-sur-Mer, Lourdes, Marselha, Cerbère); Espanha (Portbou, Barcelona, Madrid)

 

Chegada a Portugal

Data de chegada: 18 de setembro 1940
Acompanhado por: Franz Werfel; Heinrich Mann; Nelly Mann; Golo Mann

 

Permanência em Portugal

Tempo de permanência: 2 semanas

 

Partida de Portugal

Data de partida: 4 de outubro 1940
Meio de transporte: navio (Nea Hellas)
Destino: EUA (Nova York, Los Angeles)

 

Fim do exílio

Data de regresso: ---
Local de regresso: ---
Sobre o exílio

Filha de uma cantora lírica e do pintor paisagista Emil Jacob Schindler, que depois de um início de vida muito difícil, veio a ser protegido pelo príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro, o que permitiu à família uma vida desafogada, Alma Mahler-Werfel é muitas vezes apresentada como um exemplo de musa inspiradora e de femme fatale. Na Viena cosmopolita do fin-de-siècle, foi mulher do compositor Gustav Mahler, que trocaria pelo arquiteto fundador da Bauhaus Walter Gropius e este pelo escritor Franz Werfel; teve ainda uma relação amorosa com Gustav Klimt e com o compositor Alexander von Zemlinsky e foi amante do pintor expressionista Oskar Kokoshka, entre outros.

Musicalmente dotada, Alma vai abandonando ao longo da vida a sua vocação de pianista e compositora, que Mahler via com desconfiança (conhecem-se dela apenas 17 canções para piano), para se dedicar aos quatro filhos, dos quais três precocemente falecidos, e, principalmente, a uma intensa vida social e erótico-emocional.

Nos anos 30, Alma aproxima-se politicamente do austro-fascismo, e são também conhecidas as suas críticas trocistas aos seus “maridos judeus”. Todavia, e muito embora a relação com Werfel se tivesse deteriorado, segue-o para o exílio quando este, que em 1933 fora expulso da Academia de Artes da Prússia, se decide pela emigração, perante a eminência da anexação da Áustria, em março de 1938. O pacto de Berchtesgaden, que abriu caminho à invasão da Áustria pelos nazis, apanha o casal numa viagem a Capri, de onde Alma viaja sozinha e incógnita até Viena, para levantar todo o dinheiro que possuíam e o enviar para a Suíça. Com a filha do primeiro casamento, e depois de passar por Praga e Budapeste, chega a Milão, onde a esperava Franz Werfel. Instalam-se de seguida na aldeia piscatória francesa de Sanary-Sur-Mer, a Weimar francesa, onde se encontram com artistas emigrados, e ainda aí Alma equaciona a hipótese de abandonar o marido e regressar a Viena.

Dois anos volvidos, após a invasão de França no Verão de 1940, os Werfel, vêem-se obrigados a continuar o seu caminho de exílio. Deixam Sanary e, num carro alugado, chegam a Bordéus e depois à fronteira para Espanha, mas, sem vistos que lhes permitissem seguir viagem, refugiam- -se em Lourdes durante sete semanas, antes de rumar a Marselha. Daí vêm a partir para Portugal, com a ajuda de Varian Fry, do ERC, num grupo do qual fazem parte também Heinrich, Nelly e Golo Mann. É sabido que atravessam os Pirenéus a pé e que Varian Fry lhes leva de comboio as doze malas, que encerram, entre outras coisas, manuscritos de Werfel, partituras de Mahler e a 3.ª sinfonia de Anton Bruckner. De Barcelona, o casal segue para Portugal, primeiro de comboio até Madrid e daí para Lisboa num avião da Lufthansa.

A ficha de inscrição no Grande Hotel d’Itália no Estoril, do dia 18 de setembro, indica um casal de nacionalidade checoslovaca, ela com o nome Alma Werfel-Mahler. No dia 4 de outubro embarcam no «Nea Hellas», rumo a Nova York, onde chegam a 13 do mesmo mês.

Depois de dez semanas em Nova York, que Alma resume na sua biografia como: «Muito amor, muitos amigos, grande movimento – e a felicidade da liberdade!», o casal Werfel fixa-se na Califórnia, onde priva com o grupo de artistas e intelectuais emigrados alemães, e continua a sua relação atribulada. Depois da morte de Franz Werfel (1945), Alma encena-se, nas palavras de Thomas Mann, como «La Grande Veuve», gerindo o património intelectual dos seus maridos artistas e continuando a fazer nascer polémicas à sua volta. Uma delas é espoletada pela sua autobiografia, escrita com ajuda de ghostwriters, que é publicada pela primeira vez em inglês com o título And the Bridge is Love, e vem a ser expurgada de comentários racistas e palavras de apreço ao nacional-socialismo para a versão alemã, Mein Leben.

(Teresa Martins de Oliveira)

Obras do/a autor/a sobre o exílio
Mahler, Alma (1958), And the Bridge is Love. In collaboration with E. B. Ashton, New York, Harcourt, Brace & Co..
Mahler, Alma (1963), Mein Leben, Frankfurt am Main, Fischer Taschenbuch Verlag.
Obras do/a autor/a com referências a Portugal
Mahler, Alma (1958), And the Bridge is Love. In collaboration with E. B. Ashton, New York, Harcourt, Brace & Co..
Mahler, Alma (1963), Mein Leben, Frankfurt am Main, Fischer Taschenbuch Verlag.
Bibliografia crítica sobre o exílio português
Veloso, Manuela, «Lisboa, a última instancia da Europa. And the Bridge is Love de Alma Mahler Werfel», in T.M.Oliveira e M.A.G.Teixeira, De passagem: artistas de língua alemã no exílio português, Porto, Afrontamento, 2018: 165-175.

 

Do/a autor/a sobre o exílio

Citar este verbete como: Teresa Martins de Oliveira, "Mahler-Werfel, Alma," em Passagen, Maio 11, 2020, https://passagen.ilcml.com/base/mahler-werfel-alma/.