Lustig, Jan

Data de nascimento: 23 de dezembro 1902
Local de nascimento: Império Austro-Húngaro (Brün)
Data de morte: 24 de abril 1979
Local de morte: República Federal da Alemanha (Munique)
Nacionalidade: checa; americana
Confissão:
Artes, Letras e Ciências:
Jan Lustig

 

Exílio

Data de partida: março 1933
Local de partida: Alemanha (Berlim)
Motivo(s):
Passagem por: França (Paris, Bordeaux, Dex, Bayonne, Hendaye); Espanha (Irun)

 

Chegada a Portugal

Data de chegada: 24 de junho 1940
Acompanhado por: Charlotte Lustig (mulher)

 

Permanência em Portugal

Tempo de permanência: 5 meses

 

Partida de Portugal

Data de partida: 12 de novembro 1940
Meio de transporte: Navio (Guiné)
Destino: EUA (Nova York: Los Angeles)

 

Fim do exílio

Data de regresso: 1959
Local de regresso: RFA (Munique)
Sobre o exílio

Poucos dias após o incêndio do Reichstag (27 de fevereiro 1933), o judeu Jan Lustig, mais tarde convertido ao catolicismo (1940, em Lisboa), abandona apressadamente Berlim e, com a mulher (Lotte Lustig), refugia-se em Paris, onde ganha fama enquanto (co)argumentista de filmes de grande êxito comercial (p. ex., «La Dame de Malacca», 1937). Com a aproximação do exército alemão à capital francesa, em junho de 1940, redobra o perigo para L., que denunciava o nazismo produzindo peças radiofónicas difundidas semanalmente pela «Radio Mondiale». Conforme refere no seu diário – Ein Rosenkranz von Glücksfällen –, que é bem mais do que o relato da fuga de Paris até Los Angeles, o casal acompanha a caótica torrente de fugitivos rumo ao sul de França (onde, em Bordeaux, os seus vistos são assinados por Aristides de Sousa Mendes), seguindo depois para Espanha e Portugal. Logo em Vilar Formoso, após permanecerem encerrados quase dois dias no comboio, sem luz e nada para comer e beber, as autoridades policiais portuguesas atribuíram-lhes residência fixa na Figueira da Foz. No entanto, o casal arriscou por vezes deslocar-se clandestinamente a Lisboa com vista a obter o visto para os EUA. Porque, apesar de possuir um contrato de trabalho da Metro-Goldwyn-Mayer, e não obstante o consulado americano em Lisboa ter indicações do “State Department” para conceder urgentemente vistos a intelectuais em perigo, entre eles J. L., foram quase dois meses de incertezas desgastantes até que um novo cônsul, menos renitentemente conservador, lhes deu os documentos necessários para abandonarem a Europa. Cerca de duas semanas após a chegada a Nova Iorque o casal parte para Los Angeles (7 de dezembro 1940). Anos mais tarde, J. L. adquirirá a cidadania americana (1946).

Boewe, Karl- Heiz (1976), Jan Lustig, Deutsche Exilliteratur seit 1933, Bd. I, Franke Verlag: 780-788.
Frey, Erich A, (2001), «Nachwort», in Jan Lustig, Ein Rosenkranz von Glücksfällen. Protokoll einer Flucht, Bonn, Weidle Verlag: 127-142.
Lustig, Jan (2001), Ein Rosenkranz von Glücksfällen. Protokoll einer Flucht, Bonn, Weidle Verlag.
Obras do/a autor/a sobre o exílio
Lustig, Jan (1979), Narrheit, Liebe, Tod und Teufel. Erzählungen, München, Ehrenwirth.
Lustig, Jan (2001), Ein Rosenkranz von Glücksfällen. Protokoll einer Flucht, ed. e com posfácio de Erich A. Frey. Com filmografia de Stefan Drössler, Bonn Weidle.
Obras do/a autor/a com referências a Portugal
Lustig, Jan (2001), Ein Rosenkranz von Glücksfällen. Protokoll einer Flucht, Weidle Verlag.
Correspondência do/a autor/a com referências a Portugal
Deutsches Literaturarchiv Marbach [Lustig an Manfres Georg(e), 25 cartas (1933-1965)]

 

Do/a autor/a sobre o exílio

Citar este verbete como: Maria Antónia Teixeira, "Lustig, Jan," em Passagen, Junho 9, 2020, https://passagen.ilcml.com/base/lustig-jan/.