Exílio
Chegada a Portugal
Permanência em Portugal
Partida de Portugal
Fim do exílio
Filho de uma família proletária de Berlim, Rudolf Leeb (1902 – 1993) inicia a sua vida profissional como aprendiz no escritório da direção do SPD em Berlim e. em 1920, adere ao partido, do qual, cinco anos volvidos, se torna guarda-livros e caixa. Imediatamente antes da tomada do poder por Hitler, Leeb, juntamente com o tesoureiro Alfred Nau e Fritz Heine, transfere para o estrangeiro grande parte dos ativos financeiros do SPD, o que permitirá a continuação no exílio do trabalho de oposição ao nacional-socialismo. Emigra para a Checoslováquia, juntamente com a direção do partido, e torna-se secretário do Sopade – Partido Social-democrata alemão no exílio –, função que mantém em Paris, para onde se muda em 1938, quando a oposição ao nacional-socialismo se torna crescentemente difícil na Checoslováquia.
Dois anos depois, será o ataque das tropas de Hitler a França que leva ao internamento de Leeb (tal como de Geyer, Heine, Ollenhauer e Rinner), em maio de 1940, no velódromo «Stade Buffalo», na qualidade de «estrangeiro inimigo». Tendo-se oferecido como «prestataire», uma espécie de soldado-trabalhador, é mandado apresentar em Nimes. A sua mulher, Hildegard Leeb, escapa ao internamento em Gurs porque o filho, Lothar, tinha à data apenas 11 anos; ambos partem a 6 de junho para Agen, no sudoeste da França, para onde os membros do Sopade que se encontravam em liberdade se dirigiram e para onde os internados irão convergir à medida que vão sendo libertados. Também Leeb se junta ao grupo em meados de junho, vindo a pé por estradas pejadas de fugitivos desde Paris, onde, regressado de Nimes, se reunira a Erich Rinner e Curt Geyer (vd. respetivos verbetes nesta base). Sobre a fuga errática do grupo do Sopade pela França tentando chegar a um porto que lhes permitisse embarcar para o estrangeiro pode ler-se nas memórias de Marianne Loring e na biografia sobre Ollenhauer de Seebacher-Brandt (vd. também verbetes sobre Loring, Ollenhauer e Stampfer nesta base). Sabe-se que em Marselha obtêm «affidavits en lieu of passports» bem como um visto de visitante para os EUA por 6 meses (cf. S-Brandt ).
A família Leeb chega a Portugal pouco antes do final do ano, juntamente com Hans Hirschfeld, que fora conselheiro ministerial na Prússia e depois chefe de Imprensa do Senado. Ter-se-ão instalado, muito provavelmente, na Pensão Leiriense, em Lisboa, onde se haviam alojado os outros membros do SPD. Leeb parte em 1941 para os EUA, a bordo do navio português «Niassa».
Em 1950, Leeb regressou à Alemanha, onde assumiu o cargo de tesoureiro do comitê executivo do SPD em Hanover e Bonn, lugar que continuou a ocupar até final dos anos sessenta. Morreu em Berlim, em 1993.
«Rudolf Leeb», wiki.de (acedido em 16.2.2O26).
Loring, Marianne (1996), Flucht aus Frankreich 194O. Die Vertreibung deutscher Sozialdemokraten aus dem Exil, Frankfurt a.M., Fischer.
Seebacher-Brandt, Brigitte (1984), Ollenhauer: Biedermann und Patriot, Berlin, Siedler.
(Teresa Martins de Oliveira)
Friedrich-Ebert-Stiftung
Do/a autor/a sobre o exílio