Exílio
Chegada a Portugal
Permanência em Portugal
Partida de Portugal
Fim do exílio
Filho de um funcionário do SPD e de uma judia ativa na educação feminina do movimento operário, ambos mortos prematuramente, o futuro jornalista e escritor Konrad Heiden (1901 – 1966) nasce em Munique e ali vive, com alguns períodos passados em Frankfurt, onde o pai ocasionalmente trabalhava. Ainda no tempo de estudante de Direito e Economia, envolve-se na «União estudantil republicana» e torna-se um dos membros mais ativos na luta contra o nacional-socialismo, a cuja ascensão inicial assiste, e sobre o qual desde cedo dá testemunho em reportagens escritas desde Munique para o prestigiado jornal «Frankfurter Zeitung». Nos primeiros anos da década de 30, passa a trabalhar para a «Vossische Zeitung» e publica um livro sobre o nacional-socialismo que se torna um grande sucesso e lhe vale o apodo de «primeiro inimigo de Hitler», obrigando-o a fugir para Zurique. Meses depois, instala-se em Saarbrücken, onde trabalha como jornalista e faz propaganda contra a adesão do Sarre à Alemanha. Quando em janeiro de 1935 o plebiscito decide o contrário do que vinha advogando, Heiden foge para França; ali colabora com um jornal de exílio e escreve a biografia de Hitler que o tornará famoso. Publica ainda, em inglês, francês e sueco, um relato da Noite de Cristal na Alemanha.
Entre 1933 e 1936 integra, juntamente com outros cerca de vinte amigos do escritor, como Albert Einstein, Thomas e Heinrich Mann e Romand Roland, o grupo «Amigos de Carl von Ossietzky», que lutavam pela libertação do escritor do campo de concentração e tortura. Um ano depois, perde a nacionalidade alemã e os seus bens são confiscados.
Quando, três anos volvidos, as tropas de Hitler atacam a frente ocidental, em maio de 1940, Heiden é internado como «estrangeiro inimigo», mas no outono desse mesmo ano, com as tropas alemãs a aproximarem-se de Paris, é libertado. Foge a partir de Marselha, por Espanha e Portugal para os EUA, com um passaporte checoslovaco, falso, em nome de David Silbermann, arranjado pelo ERC e por Varian Fry.
Não me foi possível encontrar sinais da passagem de Heiden por Lisboa, embora seja certo que é daí que parte, de navio, em outubro de 1940. Na América continua o seu trabalho jornalístico e publica o livro Der Führer – Hitler´s Rise to Power (1944), que o consagra como especialista sobre o nacional-socialismo. Depois da guerra, permanece nos EUA, escrevendo reportagens sobre a vida quotidiana para diferentes rádios alemãs e artigos para conhecidos periódicos americanos. Nos anos 50, já naturalizado americano, foi diagnosticado com doença de Parkinson, que o torna crescentemente dependente.
Morre em Nova York, em 1966, sendo a sua obra rapidamente esquecida do grande público, muito embora continue a ser citado na literatura especializada. Todavia, já no novo milénio, a sua obra é redescoberta, sendo reeditada a sua biografia de Hitler, e publicado pela primeira vez em alemão o seu livro Eine Nacht im November 1938 – Ein zeitgenössischer Bericht [Uma Noite em novembro 1938 – Um relato da época], enquanto uma biografia de Hugo Aust com o título Hitlers erster Feind. Der Kampf des Konrad Heiden [O primeiro inimigo de Hitler. A luta de Konrad Heiden], publicada em 2016 é recebida com grande curiosidade e também com alguma polémica.
Heiden, Konrad, «Arbeitsstelle Holocaustliteratur», https: //www. holocaustliteratur.de/ deutsch /konrad-heiden (acedido em 16.11.2025).
Heiden, Konrad, fruehe-texte-holocaustliteratur.de, https: //www. fruehe-texte-holocaustliteratur.de (acedido em 16.11.2025).
Konrad Heiden, wikidedia.org. (acedido em 16.11.2025).
(Teresa Martins de Oliveira)
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