Exílio
Chegada a Portugal
Permanência em Portugal
Partida de Portugal
Fim do exílio
A publicista e biógrafa Babette Gross (Thüring de solteira) (1898 – 1990) era filha do diretor de uma importante fábrica de cerveja de Potsdam e irmã da escritora e ativista política Margarete Buber-Neumann, casada com o filho do conhecido filósofo e pedagogo judeu Martin Buber.
Após concluir estudos liceais e de trabalhar na Silésia como governante no castelo de um neto do imperador Guilherme II, Babette obteve o diploma de professora e regressou a Berlim, onde se filiará no Partido Comunista, em 1920. No mesmo ano, casa com o escritor Fritz Groß; três anos depois nasce o filho Peter (1923–2016), que durante a guerra virá a ser enviado para Inglaterra num «Kindertransport» (transporte especial para crianças). A partir de 1922 trabalha no Büro für Arbeiterhilfe, onde conhece Willi Münzenberg, um dos mais influentes membros do Partido Comunista Alemão durante a República de Weimar (deputado, editor, cineasta e criador da agitação e propaganda revolucionárias), de quem se tornar companheira. Pouco depois, em 1925, ele oferece-lhe um cargo diretivo na administração da sua importante editora «Neuer Deutscher Verlag».
Após o incêndio do Reichstag, ambos abandonam a Alemanha, com o nome na primeira lista de expulsos pelo regime nacional-socialista. Em Paris, Münzenberg continua uma destacada ação política, em contacto com os mais reconhecidos membros da oposição internacional a Hitler e funda a editora «Éditions du Carrefour», da qual Babette assume a direção. Em 1937, Münzenberg, outrora próximo de Lenine, incompatibiliza-se com o Comintern, e o casal desliga-se do KPD. Com a invasão dos países do Benelux pelas tropas alemãs e a sua anunciada continuação para sul, em 1940, Babette é internada no Campo de Gurs, na qualidade de «aliada inimiga», de onde vem a escapar; provavelmente em finais de junho desse mesmo ano, Münzenberg morre em condições nunca explicadas, depois de libertado do Campo de Chambaran, perto de Lyon.
Babette Gross parte para o exílio, seguindo o trajeto mais comum na época, através de Espanha e de Portugal. Radica-se no México, para onde o casal havia já solicitado um visto no ano de 1939, apresentando-se como «militantes antifascistas internacionais que apoiam a república espanhola» (vd.memoricamexico.gob.mx). Na América do Sul, Babette Gross será ainda companheira do jurista e antigo ministro das finanças alemão Otto Klepper. Em 1947, regressa com ele à Alemanha, instalando-se em Frankfurt a. M., onde dois anos depois Klepper, através do grupo Wipog, é co-fundador e vice-presidente do conselho de administração e único diretor-geral do prestigiado jornal «Frankfurter Allgemeine Zeitung» (1949/50), em cuja direção Babette Gross o substituirá em 1950, até que a desconfiança de alguns dos patrocinadores do periódico relativamente a uma antiga comunista dita o seu afastamento no ano seguinte. Em meados dos anos 50, Babette Gross muda-se para Berlim, anos depois volta a Frankfurt, depois Munique, vindo a morrer em Berlim. Em 1967, publica a obra Willi Münzenberg. Eine politische Biographie, com uma introdução de Arthur Koestler, e que viria a ser traduzida em várias línguas.
B. G., in: Kalliope-Verbundkatalog (Kalliope-verbund.info).
B.G., in: Deutsche Biographie https:www.deutsche-biographie.de Mexico hás memória (memoricamexico.gob.mx).
Institut für Zeitgeschichte München-Berlin (2 Bänder: 1918-1948).
(Eventualmente referencias a Portugal)
Do/a autor/a sobre o exílio