Gregor, Nora

Data de nascimento: 3 fevereiro de 1901
Local de nascimento: Império Austro-Húngaro (Görz)
Data de morte: 20 de janeiro 1949
Local de morte: Chile (Viña del Mar)
Nacionalidade: austríaca
Profissão:
Artes, Letras e Ciências:
Nora_Gregor

 

Exílio

Data de partida: 1937
Local de partida: Áustria (Viena)
Motivo(s):
Passagem por: Suíça; França (Paris)

 

Chegada a Portugal

Acompanhado por: Heinrich von Starhemberg (filho)

 

Permanência em Portugal

 

Partida de Portugal

Meio de transporte: navio
Destino: Argentina; Chile

 

Fim do exílio

Data de regresso: ---
Sobre o exílio

A atriz Nora Gregor (1901- 1949) nasceu em Görz, na região do Friul, à época Império Austro-Húngaro, numa família da boa burguesia judaica. Teve os seus primeiros êxitos no teatro «Renaissance», na Viena dos anos 20. Sob a direção de Max Reinhardt entusiasma os festivais de Salzburgo e e destaca-se como atriz do cinema mudo, o que a leva até Hollywood, onde passa dois anos e se estreia nos filmes sonoros que então davam os primeiros passos. Em Hollywood é abandonada pelo marido, o pianista Mitja Nikisch, depois de um casamento que não terá durado mais de quatro anos. Em 1933 regressa a Viena, e durante os anos seguintes obtém enorme êxito no «Burgtheater». No romance que dedica à atriz, Kitzmüller descreve estes anos como um tempo de grande felicidade, e lembra que Nora Gregor privava com o círculo à volta de Alma Mahler.

Por essa altura, inicia uma relação amorosa com o príncipe Ernst Rüdiger Starhemberg, casado e mulherengo, vice-chanceler de Dollfuß e lider do grupo paramilitar ultra-conservador de inspiração austro-fascista Heimwehr, aparentemente responsável por uma série de mortes durante o período entre as guerras, o que não parece ter incomodado Gregor, que terá acreditado poder viver de costas voltadas para a política.  Em 1934 nasce o filho de ambos, mais tarde registado como nascido em 1937, o ano em que Starhemberg se divorcia da mulher e casa com Nora Gregor. Também nesse ano, Starhenberg demite-se do governo de Schuschnigg, cuja aproximação à Alemanha nazi repudia.

O «Anschluss» dá-se durante umas férias do casal no estrangeiro, ditando não só a sua expulsão do país como a expropriação das cerca de oitenta propriedades e de outros bens do príncipe, passando a família a ser sustentada no exílio de Paris pelo industrial Friedrich Mandl, conhecido fabricante de armamento e amigo e correligionário de Starhemberg. Em França, Gregor atinge a sua consagração com o filme «La Regle du Jeu» (1939), de Jean Renoir, mas a aproximação das tropas alemãs à capital francesa ditam a sua fuga para o exílio na América do Sul, acompanhada do filho. De Lisboa parte para a Argentina, onde continua a ser apoiada por Mandl, enquanto o marido permanece ainda durante dois anos na Europa, lutando contra o nazismo ao lado de tropas francesas.

A acreditar em Kitzmüller, o reencontro com o marido, no México, revela a Nora Gregor, envelhecida e consumida por privações, que desapareceu o encanto que sobre ele exercera. Também o sonho de regressar a Viena e ao «Burgtheater» se terá frustrado, provavelmente devido ao passado austro-fascista do marido.  Parte então para o Chile, onde, em 1949, morre inesperadamente, em Viña del Mar; os rumores de suicídio não chegam, todavia, a provar-se.

 

Die Mühlräder der Zeitläufte, orf.at

Hans Kitzmüller (2O14) Weit weg von Wien, Brazzano, Braitan [trad. Do original ital].

 

(Teresa Martins de Oliveira)

Obras do/a autor/a sobre o exílio

Kitzmüller, Hans (2014), Weit weg von Wien, Friaul, Verlag Braitan (Biografia com excertos de cartas e diário)

 

Do/a autor/a sobre o exílio

Citar este verbete como: Teresa Martins de Oliveira, "Gregor, Nora," em Passagen, Maio 12, 2025, https://passagen.ilcml.com/base/gregor-nora/.