Exílio
Chegada a Portugal
Permanência em Portugal
Partida de Portugal
Fim do exílio
A jornalista e política Anna Geyer (1893–1973), filha de um escultor de Frankfurt am Main, conclui um curso comercial antes de frequentar como estudante externa a Universidade da sua cidade natal. Em 1917 casa com Curt Geyer, editor do jornal «Leipziger Volkszeitung» e membro do comité central do Partido Socialista Independente (USPD), a que Anna vem a aderir. Dois anos depois trabalha como editora de um jornal em Halle an der Saale e é eleita para o conselho municipal da cidade de Leipzig e como deputada para o parlamento do estado da Saxónia, lugares a que renuncia quando, meses depois, se muda com o marido para Berlim. Segue-se uma breve adesão ao partido comunista alemão, com o qual a ala esquerda do USPD se fundira, e onde dirige um serviço de informação interno. Meses depois, Anna e Curt Geyer são expulsos do Partido Comunista, após cisões internas; depois de breve regresso ao USPD, passam a integrar o SPD a partir da primavera de 1922, tornando-se Anna ativa em questões de política feminina e jornalista do jornal «Vorwärts», em que o marido é redator. Em 1927 nasce a filha Lilly.
Em 1933, dá-se a subida de Hitler ao poder e a família muda-se para Praga, tal como muitos dos membros do Partido Socialista, que no exílio se intitula SOPADE; na Checoslováquia, Curt Geyer dirige o jornal «Neuer Vorwärts», juntamente com Friedrich Stampfer. Em 1937, os nomes de Anna e do marido surgem nas listas de expatriados; entretanto, a expansão nazi leva os membros do Partido Socialista na emigração a temerem pela sua segurança e a família Geyer muda-se para Paris, alguns meses antes de toda a direção da SOPADE chegar à capital francesa. Anna continua a trabalhar para o «Neuer Vorwärts», agora editado em França, a que se junta a colaboração com o «Pariser Tageblatt» (Loring 1996: 16-17).
Cerca de um ano e meio depois, as tropas de Hitler aproximam-se de Paris e inicia-se uma nova fase do exílio. Com Curt preso num campo de internamento, Anna e Lilly juntam-se na cidade de Agen aos outros membros do Partido Socialista em fuga para o sul. Curt Geyer chega semanas depois. No registo autobiográfico de Marianne Stampfer Loring, são frequentes as referências à família Geyer. Numa tentativa desesperada de abandonar o sul da França, ocorre uma longa e acidentada viagem de camionete, com as diferentes hipóteses de fuga a gorarem-se uma após a outra (Agen, Tonneins, Castres, Montpelliers, de novo Castres, St. Pons, Sète), e durante a qual, no dizer de Marianne Loring, Anna Geyer se mantém sempre ativa e confiante. Frustrada à última hora a esperança de embarcarem ainda num navio que conduziria todo o grupo ao norte de África, os Geyer separam-se dos companheiros, permanecendo em Sète, na esperança de partirem num pequeno barco sul-americano em direção a Oran (Loring 1996: 8O). Todavia, mais de dois meses depois, permanecem ainda em Sète, onde se cruzam na estação com o que resta do grupo da SOPADE, que se dirige de novo para Marselha e que chegará a Lisboa em setembro de 194O.
Semanas mais tarde é a vez de Anna Geyer chegar a Portugal com a filha, depois de grandes tribulações. As privações que a família terá sofrido nesta fuga plasmam-se na pequena história que Marianne Loring conta sobre Lilly, a qual, convidada em Lisboa para uma confeitaria, comenta que por vergonha comeu “apenas” cinco bolos (Loring 1996: 127). Curt Geyer, de quem Anna se virá a divorciar, não acompanha a família até Lisboa e emigra depois para Londres, enquanto Anna e Lilly seguem para Nova York, onde a mãe de Anna se refugiara já.
Nos Estados Unidos, Anna continua politicamente empenhada, colaborando com o «German-American Council for the Liberation of Germany from Nazism». Morre três décadas mais tarde, em Detroit.
Höpel, Thomas (2018), «Anna Geyer – Frauen in der Leipziger Politik», https://www.leipzig.de/jugend-familie-und-soziales/frauen/frauenwahlrecht/portraets/detailseite-portraets-frauenwahlrecht/projekt/geyer-anna
Loring, Marianne (1996), Flucht aus Frankreich 1940. Die Vertreibung deutscher Sozaldemokraten aus dem Exil, Frankfurt a.M., Fischer.
(Teresa Martins de Oliveira)
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