Chegada a Portugal
Permanência em Portugal
Partida de Portugal
Fim do exílio
Nascido em Berlim, em 1881, o jurista, escritor e jornalista Ernst Feder é hoje provavelmente mais conhecido por ter sido a última pessoa a estar com Stefan Zweig antes do suicídio do casal.
Foi, todavia, uma figura de relevo na cena cultural alemã até à tomada de poder pelos nacional-socialistas. Conhecido internacionalmente pela sua cobertura sobre as negociações para a entrada da Alemanha na Liga das Nações, presidiu durante a República de Weimar à “Reichsarbeitsgemeinschaft der Deutschen Presse” (Grupo de Trabalho da Imprensa Alemã do Reich) e até 1933 integrou a direção do “Reichsverband der Deutschen Presse” (Associação da Imprensa Alemã do Reich). Depois de deixar a redação do jornal Berliner Tageblatt, em dezembro de 1930, onde era editor da secção de política interna, foi ainda nomeado, em 1931, juiz vitalício na Corte Internacional de Honra da Imprensa em Haia.
No verão de 1933, o seu destino mudou. Devido à ascendência judaica e ao seu posicionamento político contra o nacional-socialismo, Feder e a mulher, Erna Feder, partem para o exílio em Paris depois de uma passagem pela Suíça. O estreito contacto que mantinha com colegas franceses permitiu-lhe ainda continuar o trabalho como jornalista. Com a invasão nacional-socialista da França e o êxodo de um sem-número de refugiados, Feder não consegue o desejado visto para os EUA. Procura então Varian Fry, da ERC, que o põe em contacto com a Embaixada do Brasil em Vichy. Graças ao embaixador Souza Dantas, Feder recebe os documentos necessários para a fuga, aportando ao Rio de Janeiro em 17 de julho de 1941.
Da sua passagem por Portugal nada me foi dado encontrar: apenas que esteve no país escassos meses (muito provavelmente em Lisboa), como o atesta a data de chegada ao Brasil e a informação recebida ainda na França de que obteria o visto em fevereiro de 1941.
A carta de recomendação dada por Souza Dantas terá decerto contribuído para que Feder se tornasse num jornalista conhecido: pôde publicar em jornais brasileiros (e.g. Jornal do Brasil), ao mesmo tempo que colaborava com outros estrangeiros (Schweizer Nationalzeitung e Aufbau, este editado em Nova Iorque). Curiosamente, também publicou em alemão poemas, short stories e ensaios sobre temas brasileiros com vista à grande comunidade de língua alemã residente no Rio Grande do Sul. De salientar, o seu Brasilianisches Tagebuch [Diário Brasileiro], onde recorda a relação próxima que o ligava a Stefan Zweig, seu amigo pessoal e parceiro de xadrez.
No final dos anos 40 abandona o jornalismo e chefia a delegação brasileira de auxílio judaico “Joint Distribution Committee”. A convite do Presidente Theodor Heuss regressa à Alemanha em 1959, onde acaba os seus dias praticamente desconhecido (1964).
Bibliografia
Arnold, Sonja (2017), “A literatura alemã no Brasil – escrevendo e traduzindo entre dois mundos. Os trabalhos de Herbert Caro e Ernst Feder como Escrita-Entre-Mundos”, Cad. Trad. 37 (1), Jan-Apr. https://doi.org/10.5007/2175-7968.2017v37n1p188
Eckl, Marlen (2012), “A flor do exílio” – “A amizade de Stefan Zweig e Ernst Feder vista a partir do Diário Brasileiro”, EstudosWebMosaica revista do instituto cultural judaico marc chagall v.4 n.2 (jul-dez).
(Maria Antónia Gaspar Teixeira)
Leo Baeck Institute
Do/a autor/a sobre o exílio