Exílio
Chegada a Portugal
Permanência em Portugal
Partida de Portugal
Fim do exílio
A jornalista Hilde Walter (1895-1976) nasceu em Berlim numa família de origem judaica. Depois de frequentar a «Soziale Frauenschule» da reformadora social e ativista Alice Salomon, trabalhou como assistente social, antes de estudar Literatura e História da Arte. Após a Primeira Guerra Mundial, colaborou com vários jornais, abordando nos seus artigos temas respeitantes à mulher no mercado de trabalho, política social e legislação laboral. A partir de 1927, é contratada por Kurt Tucholsky para a revista Die Weltbühne, considerada um órgão da esquerda democrática, dirigida, a partir desse ano, por Carl von Ossietzky, e onde colaboram, e.o., Lion Feuchtwanger e Ernst Toller. Três anos depois é convidada a integrar a associação feminina «Soroptimist International», que nesse ano se inicia na Alemanha.
Depois da subida de Hitler ao poder em 1933, quando Ossietzky é preso, Hilde Walter afadiga-se a conseguir-lhe e à família apoios financeiros. Em novembro desse mesmo ano, a lei que proíbe judeus de trabalharem como jornalistas e o medo de represálias tanto pela sua atividade jornalística como pela sua origem judaica levam-na a partir para Paris, onde rapidamente se integra com o apoio de outros refugiados e do grupo das «Soroptimistas». Com um extraordinário sentido organizativo, lidera, a partir da capital francesa e juntamente com antigas colaboradoras de Ossietzky, uma campanha que congrega personalidades como Albert Einstein, Thomas Mann, Ernst Toller e Willy Brandt, e que visa a libertação do escritor; promovem também a candidatura dele ao Prémio Nobel da Paz, que o escritor virá a receber no ano de 1936 (relativamente a 1935).
Em 1940, após a ocupação da França, Hilde Walter é internada no campo de Gurs, de onde se evade numa fuga aventureira. Com a ajuda de Varian Fry e da sua rede de resgate em Marselha, consegue atravessar a pé a fronteira franco-espanhola nos Pirenéus (mais tarde designada rota F) e chegar a Portbou, no dia 26 de agosto, integrada num grupo que inclui também Hans Natonek e Hertha Pauli, escritores que nas suas memórias referem a presença de Walter no grupo, que integrava ainda o jornalista Norbert Mühlen e o escritor Carl Frucht (vd. entradas relativas a Natonek e a Pauli nesta base de dados). Nessas referências lê-se também sobre as dificuldades que lhes foram levantadas na fronteira pelos polícias espanhóis, que, segundo Pauli, os retiveram durante 12 horas, e sobre as interrupções que os fizeram levar três dias a atravessar Espanha.
Acerca da estada de Hilde Walter em Lisboa não me foi dado encontrar quaisquer informações. Certo é que parte num navio em direção aos EUA, munida de um visto de emergência. Em Nova York retoma a profissão de jornalista, escrevendo para diferentes jornais e revistas e funda uma agência para autores exilados. Em 1952, regressa à Alemanha e torna-se correspondente do American Council, fomentando as relações entre os EUA e a Alemanha, e continua a escrever para jornais e revistas; colabora ainda em vários projetos com Annedore Leber, nomeadamente em publicações sobre a resistência.
Em 1959, Hilde Walter escreve a pedido da «Wiener Library» um relato sobre os primeiros anos do nacional-socialismo na Alemanha e sobre os seus anos da emigração em França. Morre em 1976 em Berlim Ocidental, depois de lhe ser atribuída, onze anos antes, a Cruz Federal de Mérito.
Oliveira, Teresa Martins de (2O24), «Hertha Pauli», in Passagen: Base de dados, Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, FLUP, Hertha Pauli – Passagen
Teixeira, Maria Antónia Gaspar (2O24), «Hans Natonek», in Passagen: Base de dados, Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, FLUP, Natonek, Hans (Hanus) – Passagen
Tergit, Gabriele, «Hilde Walter – Ein bewegtes Leben» Hilde Walter – ein bewegtes Leben | Gedenkort Leber
(Teresa Martins de Oliveira)
«Eyewitness account by Hilde Walter of her experiences in Germany and emigration abroad in 1933», in The Wiener Holocaust Memory,
https: wiener.soutron.netPortalDefaulten-GBrecordview
(Sobre emigração em Paris)
Institut für Zeitgeschichte München – Berlin
Do/a autor/a sobre o exílio