Grötzsch, Robert

Data de nascimento: 1O de março de 1882
Local de nascimento: Império Alemão (Naunhof - Sachsen)
Data de morte: 6 de março de 1946
Local de morte: EUA (Nova York)
Nacionalidade: alemã
Confissão:
Profissão:
Artes, Letras e Ciências:

 

Exílio

Data de partida: março de 1933
Local de partida: Dresden
Motivo(s):
Passagem por: Checoslováquia (Praga); França (Paris, Bussens, Agen, Castres, Montpellier. Sète, Marselha); Espanha (Portbou, Barcelona, Madrid)

 

Chegada a Portugal

Data de chegada: 1940
Acompanhado por: Hete Grötzsch (mulher);

 

Permanência em Portugal

 

Partida de Portugal

Data de partida: janeiro de 1941
Meio de transporte: navio (Niassa)
Destino: EUA (Nova York)

 

Fim do exílio

Sobre o exílio

O escritor e jornalista social-democrata Parte inferior do formulário

Robert (Gottlieb) Grötzsch (1882 – 1946), que usou o pseudónimo literário de Bruno Brandy, era filho de um operário da Saxónia, prematuramente falecido. Trabalhou como canalizador até aos 23 anos, quando um redator do jornal «Sächsische Arbeiterzeitung» [Jornal dos Trabalhadores da Saxónia], a quem mostrara textos de sua autoria, o convidou para colaborar no jornal. Um ano depois, Grötzsch passou a redator com colaboração em diferentes rúbricas do jornal.  No final da década de vinte, é já redator chefe de um importante periódico de Dresden, ao mesmo tempo que se torna conhecido como autor de livros infantis, sátiras político-sociais e comédias de enorme sucesso.

Com a ascensão de Hitler ao poder, o jornal «Dresdner Volkszeitung» [Jornal do povo de Dresden] é proibido, e Grötzsch foge para Praga, procurando escapar ao destino de outros jornalistas, assassinados pelos nacional-socialistas. Na Checoslováquia colabora regularmente no jornal «Neuer Vorwärts»  [Novo Avante] e frequenta o círculo do Sopade [Direção do SPD no exílio]. Ao mesmo tempo, continua a sua atividade literária, destacando-se o romance Wir suchen ein Land  [Procuramos um país], dedicado ao tema do exilio. Em 1938, com o trabalho de oposição a Hitler cada vez mais dificultado na Checoslováquia, o Sopade e muitos colaboradores do «Neuer Vorwärts» mudam-se para Paris. Também Grötzsch e a mulher se instalam na capital francesa, numa urbanização moderna, perto dos amigos sociais-democratas, mas o otimismo inicial do grupo vai gradualmente dando lugar ao desânimo (cf. S.-Brandt 178).

Na sequência da invasão da França pelo exército alemão, Grötzsch é internado no final de maio no «Stade Buffalo», na qualidade de «estrangeiro inimigo» e enviado, tal como Ollenhauer, para o campo de Bussens, perto de Bordéus. Hete Grötzsch, a mulher, parte de Paris a 6 de junho em direção a Agen, juntamente com os membros do grupo do Sopade que ainda se encontravam em liberdade. No dia seguinte, Grötsch e Ollenhauer são libertados do campo e dirigem-se também eles para Agen. Duas semanas e algumas dissensões mais tarde, o grupo do Sopade inicia uma fuga desordenada pela França livre, na tentativa de encontrar um ponto de fuga, a partir do qual pudessem viajar para o estrangeiro. Marianne Loring, filha do social-democrata Friedrich Stampfer, descreve com pormenor esta fuga gorada que protagonizou com os pais e outros membros do SPD e suas famílias, entre eles Grötzsch. Descreve também como três meses depois conseguem finalmente documentos que lhes vão permitir organizar a fuga de (quase) todo o grupo, por intervenção do enviado pelo «American Federation of Labour», que tinha como missão salvar políticos e sindicalistas sociais-democratas em risco (cf. verbete sobre Marianne Loring nesta base). Muito embora com dificuldades e inseguranças de todo o tipo, que marcaram a fuga do grupo do Sopade, certo é que Grötzsch e a mulher conseguem chegar a Lisboa, atravessando os Pirenéus, a Espanha e Portugal. Ter-se-ão provavelmente instalado, como os amigos, na Pensão Leiriense, em Lisboa, mas não me foi dado obter informações concretas da sua vilegiatura em Portugal. Sabe-se que abandonaram o nosso país já no ano de 1941 em direção aos EUA, a bordo do navio português «Niassa» (wiki.de).T

Em Nova York, Grötzsch voltou a trabalhar inicialmente como canalizador, mas pouco depois é colaborador do jornal da «German Labour Delegation». Com a saúde já fragilizada aquando da chegada à America, vem a morrer em Nova York, em 1946. Stampfer terá dito no elogio fúnebre ser o amigo « um poeta da classe trabalhadora que ao longo da vida levou na bagagem o humor dos jovens artesão alemães» (apud Grötzsch, wiki.de).

De facto, foi como escritor que Grötzsch mais se destacou. No dizer de Altner, Grötzsch criou os primeiros exemplos da literatura infantil proletária, uma alternativa à literatura juvenil burguesa. As suas Geschichten für Arbeiterkinder [Histórias para Crianças da Classe Trabalhadora], embora escritas num estilo fantástico-realista e num cenário de conto de fadas, falam de um mundo quotidiano e revelavam-se como um documento social de seu tempo. Também os seus textos para adultos, não apenas contos mas também peças de teatro, obtiveram grande sucesso, com especial destaque para a comédia pequeno-burguesa Dyckerpotts Erben [Os Herdeiros de Dyckerpott], que não só foi representada em 150 palcos alemães como também deu origem a um filme.

 

 

Altner, Manfred (2021) «Robert Grötzsch»  in: Sächsische Biografie, hrsg. vom Institut für Sächsische Geschichte und Volkskunde e.V. Online-Ausgabe: https://www.isgv.de/saebi/ ( acedido em 14.11. 2025).

«Grötzsch, Robert» , Robert Grötzsch – Wikipedia

Loring, Marianne (1996), Flucht aus Frankreich 194O. Die Vertreibung deutscher Sozialdemokraten aus dem Exil, Frankfurt a.M., Fischer.

Seebacher-Brandt, Brigitte (1984), Ollenhauer: Biedermann und Patriot, Berlin, Siedler.

 

(Teresa Martins de Oliveira)

 

Do/a autor/a sobre o exílio