Braun-Fernwald, Jella von

Data de nascimento: 30 de janeiro 1894
Local de nascimento: Império Austro-Húngaro (Viena)
Data de morte: 13 de março 1965
Local de morte: Áustria (Baden)
Nacionalidade: austríaca
Confissão:
Artes, Letras e Ciências:

 

Exílio

Motivo(s):
Passagem por: Suíça (Winterthur); França (Paris, Montauban); Espanha;

 

Chegada a Portugal

Acompanhado por: Paul Stefan (marido)

 

Permanência em Portugal

 

Partida de Portugal

Data de partida: abril 1941
Destino: EUA (Nova Iorque)

 

Fim do exílio

Data de regresso: 1952
Local de regresso: Áustria
Sobre o exílio

A  cantora lírica Jella von Braun-Fernwald (18941965)  nasce numa destacada família de médicos vienenses de origem judaica. Estuda canto na «Akademie für Musik und darstellende Kunst» de Viena e casa, em 1919, com o maestro e compositor Herrmann Ritter von Schmeidel, do qual tem uma filha, antes de se divorciarem cinco anos depois. Em 1929, participa na Festa da República no «Wiener Konzerthaus», na estreia vienense da Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht, e inicia as suas apresentações no Festival de Salzburg. Na década seguinte, torna-se conhecida principalmente pela sua participação em concertos, onde canta tanto peças clássicas como de vanguarda, destacando-se entre estas as composições de Schönberg.

Após a anexação da Áustria, Jella von  Braun-Fernwald é expulsa da Associação da «Volksoper» de Viena devido à sua origem judaica, e parte para o exílio; reune-se na Suíça ao seu companheiro, o conhecido historiador e crítico musical Paul Stefan, de uma família de judeus convertidos ao Catolicismo, que ali se refugiara no ano anterior, depois da publicação de textos antinazis. De lá, o casal segue para Paris, onde se movimenta no círculo dos legitimistas austríacos e colabora em diferentes projetos radiofónicos. Aquando     da invasão de França, Jella é internada no campo de Gurs, entre maio e julho de 1940, dirigindo-se a Montauban após a sua libertação. Jella e Paul casam nessa cidade, possivelmente para facilitar a obtenção dos documentos necessários à partida para o estrangeiro. Em dezembro desse mesmo ano, tentam passar a pé a fronteira para Espanha, mas são intercetados e obrigados a regressar a França. Só à segunda tentativa conseguem entrar em Espanha, que atravessam em direção a Portugal.

O casal permanece em Lisboa durante vários meses, durante os quais Paul Stefan aceita diferentes desafios profissionais e Jella chega a apresentar-se em público. Cite-se, a título de exemplo, o «Concerto de arte e beneficência promovido pelos artistas estrangeiros refugiados», patrocinado pelo O Primeiro de Janeiro e com o apoio do Governador Civil, que teve lugar no Teatro Rivoli no Porto, a 24 de janeiro de 1941. Do programa constam além de «palavras de apresentação pelo Prof. Dr. Paul Stefan, escritor e crítico musical», árias cantadas por Jella von Braun-Fernwald e, entre outras, peças musicais compostas pelo Dr. Egon Neumann, o qual fez também o acompanhamento musical (vd. infra, reprodução do convite).

No início de abril de 1941, o casal ruma a Nova York, onde Paul Stefan vem a morrer dois anos depois. Jella, que só muito raramente se apresentou na América como cantora, retorna à Áustria em 1959.

 

«Jella von Braun-Fernwald», in Cahiers d’Etudes Germaniques, 85, 2023 Douce France revisited

 

(Teresa Martins de Oliveira)

 

 

Do/a autor/a sobre o exílio

Citar este verbete como: Teresa Martins de Oliveira, "Braun-Fernwald, Jella von," em Passagen, Maio 12, 2025, https://passagen.ilcml.com/base/braun-fernwald-jella-von/.