Exílio
Chegada a Portugal
Permanência em Portugal
Partida de Portugal
Fim do exílio
Com um percurso escolar inacabado e depois de algumas formações e profissões técnicas e/ou manuais, o escritor e tradutor poliglota A. Thelen (que adotou o nome de Vigoleis) cedo iniciou uma vida de exílio que, ora voluntário, ora forçado dadas as perseguições dos nacional-socialistas, teve a duração de 55 anos.
Sobretudo por dificuldades económicas, mas também pelo que se adivinhava politicamente na República de Weimar, Th. rumou em 1931 a Amsterdão, pouco depois a Maiorca, sempre na companhia da futura mulher, Beatrice Bruckner. Com o início da guerra civil espanhola e a chegada dos falangistas às Canárias (1936), o casal vê-se obrigado a deixar precipitadamente a ilha, onde levava uma vida quase de miséria, e Th., politicamente persona non grata(quer para a Falange, quer para o nacional-socialismo), com o nome inscrito numa lista de pessoas a abater, só não foi fuzilado porque o chefe da polícia secreta espanhola, seu amigo, garantiu aos falangistas que ele próprio se encarregaria da execução da sentença (Pütz, 1990: 26). Fogem para Marselha, depois Auressio, na Suíça (1937-1939). Crescentemente inseguros dada a vigilância da Gestapo, partem para Portugal onde, na sequência de um convite anterior de Teixeira de Pascoaes – seu correspondente desde há anos devido ao deslumbramento que o levou a traduzir obras do poeta de Amarante –, serão seus hóspedes no solar de Pascoaes, em São João de Gatão(1939-1947). Esses tranquilos anos portugueses propiciaram não só o prosseguimento das traduções de Pascoaes (São Paulo, São Jerónimo, Napoleãoe Verbo escuro), mas também darão origem a um projeto anunciado muito mais tarde e nunca terminado: a escrita de um «Memorial Lusitano». A exemplo de Die Insel des zweiten Gesichts. Aus den angewandten Erinnerungen des Vigoleis(1953) [A ilha do segundo rosto. Das memórias aplicadas de Vigoleis], um espelho das peripécias vividas em Maiorca nos anos 30, seria uma obra de grande fôlego de “memórias aplicadas”, agora sobre a fase portuguesa – das quais hoje, relativamente ao nosso país, os leitores de pouco mais dispõem do que de um fragmento sobre a viagem do Porto até ao solar do anfitrião intitulado Die Gottlosigkeit Gottes oder das Gesicht der zweiten Insel(Thelen, 1990: 108-120) [O ateísmo de Deus ou o rosto da segunda ilha].
Em 1947, a Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) não renovou a autorização de residência do casal. Embora nessa data Th. já não se encontrasse exposto a perseguições, optou por continuar o exílio, pois repudiava a existência de responsáveis nazis em posições de chefia no após-guerra (Pütz, 1990: 25). Residirá em Amsterdão (1947-1954), depois na Suíça (1954-1986), e apenas em 1986 regressará à sua região natal, vindo aí a falecer três anos depois.
Caeiro, Olívio (1990), Albert Vigoleis Thelen no solar de Pascoaes, Porto, Brasília.
Pütz, Jürgen (1990), Doppelgänger seiner selbst: der Erzähler Albert Vigoleis Thelen, Wiesbaden, Westdeutscher Verlag.
Teixeira, Maria Antónia Gaspar (2016), «Albert Vigoleis Thelen: ecos literários de um exílio em Portugal», Viagens e outros labirintos, Cadernos de literatura comparada, 34: 157-171.
(Maria Antónia Gaspar Teixeira)
Thelen, Albert Vigoleis (1983), Die Insel des zweiten Gesichts. Aus den angewandten Erinnerungen des Vigoleis. Roman. Ungekürzte Ausgabe, Frankfurt/Main, Berlin, Ullstein [¨11953].
— (1990), Poetische Märzkälbereien. Gesammelte Prosa, Mönchengladbach, Juni-Verlag.
— (1991), Der schwarze Herr Bahßetup. Roman. München, Deutscher Taschenbuch-Verlag [11956].
— (2000), «Die Gottlosigkeit Gottes oder das Gesicht der zweiten Insel». Gelesen und frei vorgetragen von A.V.T., 2 CDs, Edition Die Horen, Bremerhaven [gravação de 1966].
Thelen, Albert Vigoleis (1990), «Die Gottlosigkeit Gottes oder das Gesicht der zweiten Insel»; «Tabakpanik», in A.V.Th., Poetische Märzkälbereien. Gesammelte Prosa, Mönchengladbach, Juni-Verlag: 108-120, e 121-136.
Thelen, Albert Vigoleis (1997), Cartas a Teixeira de Pascoaes [1935-1952], org., introd. e tábua biobibliográfica de A.V.Th. de A. C. Franco, Lisboa, Assírio e Alvim.
Caeiro, Olívio (1990), Albert Vigoleis Thelen no solar de Pascoaes, Porto, Brasília.
Schäfer, Ansgar (1990), «Albert Vigoleis Thelen e Teixeira de Pascoaes», Colóquio Letras, n.º 113/114: 175-181.
Teixeira, Maria Antónia Gaspar (2016), «Albert Vigoleis Thelen: ecos literários de um exílio em Portugal», Viagens e outros labirintos, Cadernos de literatura comparada, 34: 157-171.
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