Chegada a Portugal
Permanência em Portugal
Partida de Portugal
Fim do exílio
A jornalista e escritora Lilli Körber (1897–1982), filha de abastados judeus liberais austríacos, nasce em Moscovo, de onde a família se muda para a Suíça fugindo às perseguições anti-semitas na época da 1.ª Guerra Mundial. Conclui a licenciatura em Romanística em Frankfurt, juntando-se à família em Viena, onde colabora ocasionalmente como escritora freelancer em periódicos de esquerda tanto austríacos como estrangeiros (Arbeiter Zeitung e Rote Fahne de Viena; Das Volksrecht de Zurique, Weltbühne de Praga e Magazin für Alle, Das neue Rußland e Arbeiter-Illustrierte-Zeitung (AIZ) da Alemanha). Pela mesma altura, junta-se ao Partido Social Democrata dos Trabalhadores (Sozialdemokratische Arbeiterpartei (SDAP)) e, influenciada pelos desenvolvimentos revolucionários na Rússia, torna-se membro-fundador da Associação de Escritores Proletários-Revolucionários da Áustria (Bund der Proletarisch-Revolutionären Schriftsteller Österreichs); é também, após alguma reconversão política, membro dirigente da Organização dos Escritores Socialistas (Vereinigung sozialistischer Schriftsteller), à volta de autores como Josef Luitpold Stern e Fritz Brügel, e. o.
Convidada, tal como Johannes Becher e Anna Seghers, a visitar a União Soviética, a propósito do congresso «União Internacional de escritores Revolucionários», em 1930, ali permanece durante um ano, trabalhando como operária fabril, experiência que relata no romance documental Eine Frau erlebt den roten Alltag [Uma mulher experimenta o dia a dia vermelho] (1932) , que se tornou o seu primeiro grande sucesso literário. Em 1934 publica Eine Jüdin erlebt das neue Deutschland [Uma judia experimenta a Nova Alemanha] (mais tarde publicado como Die Ehe der Ruth Gompertz [O casamento da RG], obra rapidamente proibida na Áustria e na Alemanha. Em 1934/35, Körber viaja para o Japão e a China, o que lhe inspira o romance Sato-San, ein japanischer Held [Sato-San, um herói japonês], um retrato do fascismo nipónico, considerado também uma paródia a Hitler.
Três dias depois da anexação da Áustria, em março de 1938, Lili Körber decide-se pelo exílio, e emigra para Paris. Continua a escrever para revistas e jornais do exílio e publica como folhetim, no jornal suíço Volksrecht, o romance Eine Österreicherin erlebt den Anschluss [Uma austríaca experimenta a anexação], com o pseudónimo Agnes Wildmuth.
Em 1940, Lili Körber casa em Paris com o sociólogo Eric Gravé (Erich Goldschmidt). Logo a invasão das tropas alemãs leva o casal a rumar ao sul de França em busca dos documentos necessários à partida para os EUA. Auxiliados pelo ERC, seguem a rota de fuga típica desta época, com passagem por Marselha, pelos Pirenéus, Barcelona e Madrid, antes de chegarem a Portugal.
A 24 de maio de 1941 partem de Lisboa, a bordo do navio português «Serpa Pinto» e chegam a Nova York um mês depois, a 23 de junho.
Nos EUA, Lili trabalha inicialmente como operária, depois como tutora numa escola de línguas. Continua a escrever esporadicamente em jornais dos EUA e da Europa e publica o romance Ein Amerikaner in Russland [Um americano na Rússia], que constitui uma crítica ao Estalinismo, do qual se distanciara após o pacto Hitler-Stalin. O parco êxito das suas publicações leva-a à frequência de um curso de enfermeira, profissão que exerce até ao fim da vida. O romance autobiográfico Call me nurse, que retrata as suas experiências na emigração dos EUA, não chega a ser dado à estampa.
Nos últimos anos da sua longa vida, Lili Körber assiste a uma redescoberta da sua obra pela germanista Viktoria Hertling, a quem confia o seu espólio. Na entrevista que lhe concede, Körber faz uma surpreendente revisão do seu passado, desvalorizando o empenhamento de juventude com o comunismo e escondendo a sua origem judaica.
Gürtler, Christa e Sigrid Schmid Borstenschlager (2OO2), Österreichische Schriftstellerinnen. Fünfzehn Porträts und Texte, 1918- 1945, Salzburg, Residenzverlag, 247–262.
Hertling, Viktoria (1992), «Farewell to yesterday. LK Exil in NY. Zwischen Fiktion und Wirklichkeit» in Dachaeuer Hefte, Special Issue. Überleben und Spätfolgen, 8, nr. 8.
«Lili Körber», Arbeitsstelle Holocaustliteratur, Geschichte(n) bewahren, erforschen, vermitteln, Justus-Liebig Universität Giessen, online .
Call me nurse romance inédito.
Exilarchiv der Deutschen Nationalbibliothek
Do/a autor/a sobre o exílio