Loring, Marianne

Data de nascimento: 21 de junho 1924
Local de nascimento: Alemanha (Berlim)
Data de morte: 15 de junho 2003
Local de morte: EUA (Berkeley)
Nacionalidade: alemã, americana
Confissão:
Profissão:
Artes, Letras e Ciências:
MarianneStampfer1942_3

 

Exílio

Data de partida: 1938 (maio)
Local de partida: Berlim
Motivo(s):
Passagem por: Checoslováquia (Praga); França (Paris; Bordéus, Agen, Castres, Montpellier. Sète. Marseille; Espanha (Port-Bou: Barcelona. Madrid); Portugal (Lisboa), St

 

Chegada a Portugal

Data de chegada: 11 de setembro 1940
Acompanhado por: Friedrich Stampfer (pai); Charlotte Stampfer (mãe)

 

Permanência em Portugal

Tempo de permanência: um mês

 

Partida de Portugal

Data de partida: 6 de outubro 1941
Meio de transporte: navio (Nea Hellas)
Destino: EUA (Nova Iorque)

 

Fim do exílio

Data de regresso: 1948 (agosto)
Local de regresso: República Federal da Alemanha (Frankfurt a.M.)
Sobre o exílio

Marianna Loring

Na qualidade de filha do jornalista e dirigente político do SPD de origem judaica Friedrich Stampfer (1874 – 1957) e de sua mulher Charlotte Stampfer, Marianne Stampfer (Loring) empreendeu, aos dezasseis anos, a viagem de fuga pela Europa que a trouxe a Lisboa, onde tomou o barco que a levaria ao exílio em Nova Iorque.

Marianne Stampfer nasce em Berlim, em 21 de junho de 1924. O pai era à data redator-chefe do jornal Vorwärts, órgão do partido SPD, e membro do Reichstag, lugares que ocupará até à subida de Hitler ao poder, em 1933, bem como membro da direção e da comissão programática do partido. Em meados de 1933, Friedrich Stampfer integra a direção do Sopade, o SPD no exílio, em Praga, e vê o seu nome inscrito na lista dos expulsos da Alemanha pelo nacional-socialismo. Marianne vive com os pais em Praga até ao início de 1938, quando, com o governo checo crescentemente pressionado por Hitler (a invasão da Checoslováquia  ocorrerá na primavera do ano seguinte), a direção do SPD decide empreender novo exílio, desta feita em Paris, onde Marianne frequentará a escola, tal como havia feito em Praga.  Um ano mais tarde, estarão de novo em fuga, com a ameaça da chegada das tropas nazis à capital francesa, o que virá a acontecer em 14 de julho de 1939. O relato que Marianne escreve no ano seguinte, já em Nova Iorque, e que ficará inédito até 1996, constitui não só um interessante documento da fuga da direção do SPD – Vogel, Breitscheid, Geyer, Hilferding, Ollenhauer, Rinner e Weichmann e respetivas famílias integram o grupo dos fugitivos – , como o depoimento das vivências, esperanças, medos e angústias da adolescente. Permite, também, seguir minuciosamente a rota de fuga feita de avanços e recuos, de vistos e autorizações de permanência e passagem recusados e concedidos, na cada vez mais difícil tentativa de encontrarem um caminho que lhes permitisse sair de França. Bordéus, Agen, Tonneins, Castres, Montpellier,  St. Pon são pontos de passagem para Sète, a cidade portuária onde esperavam encontrar um barco que lhes permitisse chegar a África, intento que se vem a gorar no último momento. Regressam a Castres, onde, depois de semanas de espera e desespero, Friedrich Stampfer recebe a informação de que o consulado americano de Marselha lhe arranjará e ao resto do grupo o tão desejado visto para os Estados Unidos. Seguem-se semanas em Marselha, ensombradas por dilações e falsas notícias sobre a chegada iminente das tropas alemãs, até que, munida finalmente de  vistos para atravessar Espanha e Portugal e de um visto de saída de França de origem inconfessada, a família Stampfer parte de comboio para Cerbère, na fronteira franco-espanhola, onde a aguarda um grande susto ao pensarem que a origem do seu visto havia sido descoberta. Levando consigo as malas dos Weichmann, que por falta de visto optaram por passar a fronteira ilegalmente por uma das famosas rotas pedestres da montanha, os Stampfer chegam no dia 8 de setembro a Port-Bou, a cidade fronteiriça espanhola. Três dias depois, tinham atravessado Espanha (por Barcelona e Madrid) descrita como muito pobre, arruinada por uma guerra cujas marcas prevalecem, e ensombrada pela figura de Franco, exibida em todos os edifícios públicos.

A chegada a Portugal traz-lhes   a certeza de estarem finalmente a salvo, o que  condiciona o olhar benevolente que caracteriza a descrição generalizadamente positiva das experiências portuguesas (em anexo nesta entrada). Todavia, ao fim de poucos dias, Marianne anseia por seguir viagem, o que acontecerá semanas depois, a bordo do navio «Nea Hellas». Chegam a Nova Iorque ao fim de oito dias de viagem e a jovem sente desvanecerem-se as incertezas e angústias que a tinham acompanhado desde a partida de Lisboa, substituídas pela ideia de ter alcançado a Terra Prometida.

Marianne Loring regressa à Europa com os pais, em  1948, depois de ter frequentado o Hunter College em New York e de ter terminado os estudos com um B.A. em literatura inglesa. Entre 1950 e 1952 trabalha num departamento do estado americano em Munique e aí casa, em 1952, com Hans Helmut Loring (originalmente Loewenfeld), que se viria a dedicar à ciência política na Universidade de Berkeley. Marianne Loring, que obtivera  a cidadania norte-americana em dezembro de 1949, radica-se com o marido na Califórnia, onde viverá até ao fim da vida, em 15 de junho 2003.

 

Benz, Wolfgang (1996), “ Fliehen vor Hitler. Einleitende Bemerkungenzum sozialdemokratischen Exil“, in: M.Loring, Flucht aus Frankreich 1940. Die Vertreibung deuscher Sozialdemokraten aus dem Exil, Frankfurt a.M., Fischer Taschenbuch Verlag.
Loring, Marianne (1996),  Flucht aus Frankreich 1940. Die Vertreibung deuscher Sozialdemokraten aus dem Exil, Frankfurt a.M., Fischer Taschenbuch Verlag.

 

Obras do/a autor/a sobre o exílio
Loring, Marianne (1996),  Flucht aus Frankreich 1940. Die Vertreibung deuscher Sozialdemokraten aus dem Exil, Frankfurt a.M., Fischer Taschenbuch Verlag.
Obras do/a autor/a com referências a Portugal
Loring, Marianne (1996), “Gerettet”, “Lissabon>” e “Die Abfahrt”, in: M.L,  Flucht aus Frankreich 1940. Die Vertreibung deuscher Sozialdemokraten aus dem Exil, Frankfurt a.M., Fischer Taschenbuch Verlag, pp. 124-130.

 

 

 

Do/a autor/a sobre o exílio

Citar este verbete como: Teresa Martins de Oliveira, "Loring, Marianne," em Passagen, Março 24, 2021, https://passagen.ilcml.com/base/loring-marianne/.